Nerd de Pijama – Bandeira pra quem?

Junho, Agosto, Setembro e Janeiro são os meses considerados das viabilidades gay, lésbica, bi e trans respectivamente. Mas essa visibilidade afinal de contas acontece? Pois é, estamos em 2020 e ainda vemos como o preconceito é forte dentro das pessoas e no mundo nerd mais ainda por sinal. Vimos isso com a animação Harley Quinn, no lançamento de She-Ra pela Netflix e com a confirmação do mundo queer de Steven Universe. Mas isso não se limita à produções de animação não, lembro-me muito bem que quando a personagem Valquíria de Tessa Thompson foi confirmada como LGBT+ vários nerds se revoltaram, afinal uma mulher linda e maravilhosa sem dar bola para homem sempre vai revoltar né mesmo?

Obviamente de uns anos para cá as grandes produtoras de quadrinhos vem se posicionando sobre o assunto que vai de alguém tão icônico como o Lanterna Verde, passando pela Viúva Negra, Loki, Mulher Maravilha, Deadpool e Dreamer (Nia Nal). Acredito que um dos últimos personagens a ser mal visto pelo assunto foi o Constantine que em Dark Apokolips confessa que já namorou o King Shark, posicionando-se assim não como bissexual e sim como pansexual. Lembrando que se homofobia, bifobia e transfobia já geram polêmicas assuntos como intersexo, pansexualidade, gênero neutro/fluído e assexualidade também causam espanto como se fosse algo de outro multiverso.

Infelizmente também é sabido que a falta de representatividade é que perpetuou isto por séculos em nossa cultura. E se hoje o debate está começando a se abrir é graças a produções que conseguiram se destacar. Uma delas é com certeza The L World (2003), que foi bem um divisor de águas já que depois vieram não apenas séries e programas com a temática como também mais e mais personagens gays em outras séries. Sim, se temos personagens trans, bi e gays com mais normalidade hoje em dia é porque a coisa começou lá no passado. Filmes como The Horror Picture Show (1975), Meninos Não Choram (1999), Assuntos de Meninas (2001) e Madame Satã (2002) se propuseram a dar a cara a tapa mil vezes para serem produzidos e representar o público LGBT+. Claro que tivemos uma porrada de filmes depois como Milk (2008), Flores Raras (2013), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), Carol (2015), Azul É a Cor Mais Quente (2015), Moonlight (2016), Chame Pelo Seu Nome (2017) e isto é tão bom quanto por nos mostrar mais para o mundo e dizer: somos normais, estamos aqui e merecemos seu respeito.

Atualmente, temos a graça de vivermos num mundo de Pabllo Vittar, Ru Paul’s Drag Race, Queer Eye e Pose. Mas nem sempre o mundo foi tão colorido assim e nosso país ainda é o que mais mata membros da comunidade LGBT+ no mundo. Mundo onde Putin e Trump são presidentes, então não podemos apenas culpar governanças sobre o assunto. Exigir o respeito e a dignidade como dever sim, mas começar a rever que é a nossa sociedade intolerante que nos faz morrer todos os dias as vezes por andar na rua com certo tipo de roupa e mais ainda por segurar na mão de quem amamos. A criminalização da homofobia e assegurar o direito de pessoas do mesmo sexo foram grandes vitórias, contudo as feridas ainda são muitas seja ela dentro ou fora da comunidade.

Então antes de levantar qualquer bandeira e até mesmo de questioná-la, é necessário também um pouco de empatia e respeito. Se você não é LGBT+ lembre-se que essa é a história de várias pessoas que morreram e ainda morrem simplesmente por amar ou serem elas mesmas. E se você é LGBT+ lembre-se que nem tudo é tão preto no branco assim e que a sexualidade dos colegas de causa diz respeito apenas ao outro.

A transfobia e a bifobia ainda são coisas bastante presentes dentro da comunidade entre tantas coisas como o racismo e a gordofobia, então não vamos ser hipócritas aqui e dizer que a bandeira é apenas para um esteriótipo que foi há tanto vendido por quem está de fora, ok? Democratizar a nossas bandeiras e respeitar o outro ainda é acima de tudo o que no mantém unidos contra todo o ódio que em de fora. E se hoje temos nossas variâncias representadas no cinema, na TV, quadrinhos e até mesmo em animações é graças a realidade não calada do mundo aqui fora.