Dica Da Semana – As Boas Maneiras

Eu sei o que pode estar se passando por sua cabeça agora. Filme de terror brasileiro, Luísa? Pois é, meus caros, hoje trago até o conhecimento de todos um filme de terror brasileiro que vocês não fazem ideia de que querem assistir, mas querem. Pensa naquela surpresa boa, naquela história que trabalha elementos clássicos de uma lenda europeia mesclando-os muito bem com a realidade contemporânea paulista. Isso é As Boas Maneiras.

Bateu curiosidade, né? Então se segura que eu ainda nem comecei. Em um primeiro momento somos apresentadas às duas personagens principais, Ana (Marjorie Estiano) e Clara (Isabél Zuaa), a primeira uma mulher rica de interior que foi morar em São Paulo para esconder a vergonha que causou à família ao engravidar fora do casamento e a segunda uma enfermeira solitária que é contratada para cuidar da grávida e posteriormente do bebê. Acredito que seja possível comparar o enredo às fases da lua, comparação que vem a calhar, visto que se trata de um filme de lobisomem. A lua cheia do filme acontece durante a gravidez de Ana, momento no qual a relação dela com Clara se aprofunda de maneira bem sensual. Além disso, para fazer jus ao gênero, a jovem Ana começa a apresentar um comportamento bem peculiar que só se agrava com a proximidade do parto.

É muito interessante notar como há uma mudança no tom da história de uma cena para outra; em um momento mergulhamos na noite da grande São Paulo e acompanhamos de perto os mistérios que ela oferece, no outro, emergimos e dançamos com Ana ao som de uma boa música brega. A mudança de lua e, por conseguinte, a divisão bem marcada da história acontece após o nascimento do bebê. Um menino forte, como o próprio médico caracterizou: olhos grandes, orelhas grandes, boca grade… Você entendeu a referência. O nascimento da criança representa um divisor de águas para a vida de Clara e para o enredo do filme, que arriscou bastante ao mudar seu tom de uma maneira tão clara, dividindo-o praticamente em duas histórias, e acertou em cheio ao fazê-lo.

Em relação aos efeitos visuais e a caracterização do lobisomem o filme também não desaponta. Não devemos buscar nesses efeitos a perfeição, mas sim procurar observar se o lobisomem, da maneira como nos foi apresentada, está de acordo com o tom e demais imagens do filme. Sendo assim, posso afirmar com folga que a qualidade chega até a nos surpreender. Há muitos filmes de terror brasileiros sendo produzidos atualmente que possuem essa característica que todos os filmes deveriam buscar: eles inovam e almejam a originalidade. As Boas Maneiras é uma boa pedida para todos que estão em busca de uma boa história com uma proposta inovadora. É preciso valorizar o cinema brasileiro, não pelo simples fato de ser o nosso cinema, mas porque já faz tempo que ele tem nos apresentado produções de excelente qualidade e As Boas Maneiras está, com toda certeza, no topo dessa lista.