Crítica – Judas e o Messias Negro

Na próxima quinta-feira (25) estreia nos cinemas brasileiros o longa Judas e o Messias Negro. A produção é dirigida por Shaka King, estrelada por Daniel KaluuyaLakeith Stanfield e conta a verídica história da ascensão e queda de Fred Hampton. O jovem foi um ativista dos direitos dos negros e revolucionário líder do partido dos Panteras Negras, o que acabou atraindo a atenção do FBI. Para se infiltrar no grupo, a agêncîa do governo americano conta com a participação de William O’Neal, o qual se infiltra no grupo liderado por Hampton.

Esse é o primeiro longa-metragem dirigido por Shaka King. Logo de cara o diretor nos concede quase que todo o contexto histórico daquela época específica nos Estados Unidos, se utilizando de filmagens reais que aconteceram na década de 70. Em poucos minutos já conseguimos entender e principalmente sentir a tensão que abala o país. não apenas nas questões sociais, mas também nas econômicas e políticas. King não apenas consegue muito bem nos apresentar esse tom no começo do longa, como consegue mantê-lo durante as duas horas contínuas de filme.

Apesar de uma direção segura, e com uma ótima cinematografia, a grande força de Judas e o Messias Negro está nas suas atuações. Não é surpresa para ninguém o talento de Daniel Kaluuya, jovem ator que há poucos anos teve sua primeira indicação no Oscar pelo excelente trabalho no filme Corra!. Para quem ainda quer conhecer mais o trabalho desse ator em ascênsão, sugiro que procurem os longas Queen & Slim – Os Perseguidos e As Viúvas. Aqui ele traz uma energia e empatia bastante elevadas, sabendo dosar bem as nuances do seu personagem. Sua ótima atuação também consiste no sotaque e expressão corporal, principalmente nos momentos em que o seu personagem está fazendo discursos para a comunidade.

Ainda sim, Kaluuya não é a melhor atuação do longa. Esse posto fica reservado para Lakeith Stanfield, outro jovem ator, que com apenas 29 anos, nos entrega uma atuação fantástica e completa. Seu personagem é ainda mais complexo que o de Kaluuya, e aqui nessa atuação, muitas vezes seus olhares falam mais do que qualquer palavra dita. O personagem está numa verdade “sinuca de bico” e ele precisa se infiltrar nos Panteras Negras para coletar informações em prol do FBI. Enquanto ele vai se infiltrando no grupo, sua admiração pela causa e por Fred Hampton vão aumentando, e com isso a dualidade de sentimentos do personagem vai lhe corroendo de dentro para fora.

A atmosfera de tensão e perigo é montada de forma sublime. A trilha sonora, os figurinos e todo o desing de produção consegue inserir o público numa época em que o terror estava espalhado em cada esquina da cidade de Chicago. Mais do que criar todo esse clima, o longa consegue manter a pressão e o senso de urgência em todos os seus 120 minutos, sem perder o ritmo e nem a força no seu discurso. Como na maioria dos filmes que contam histórias verídicas, o ato final do longa é fechado com mais imagens reais e nos contam o fim dessa verdadeira tragédia.

Ainda estamos no segundo mês de 2021, contudo já é certo que Judas e o Messias Negro estará na lista de melhores filmes do ano. O longa deve chegar com bastante força nas principais categorias do Oscar e não seria surpresa para ninguém se a produção vencesse vários prêmios incluindo o de melhor filme.

Nota do CinEsportes ⭐⭐⭐⭐⭐