Crítica – I May Destroy You

I May Destroy You é uma série da HBO criada, escrita co-dirigida e protagonizada por Michaela Coel (Chewing Gun). Dito isto, vamos a apresentação dessa maravilha britânica que conta a historia de Arabella(Coel), uma escritora que sofre abuso sexual após ser drogada em uma noite badalada. A série mostra como a protagonista tenta refazer seus passos na noite do ocorrido ao mesmo tempo que lida com o trauma, investigação policial e sobreviver profissionalmente em Londres, até que lance seu segundo livro.

A série mais necessária de 2020 ainda mescla assuntos como relacionamentos tóxicos, racismo, vício em redes sociais, terapia, masculinidade tóxica, entre tantos outros. É tão natural a forma como a Michaela entrega mais uma obra prima que sinceramente não esperaria nada diferente dela, mesmo que infelizmente seja uma obra baseado em fato reais. A artista falou de seu abuso finalmente no ano de 2018 enquanto estava trabalhado nas filmagens de Chewing Gun.

Por mais que o roteiro ainda traga tons de humor negro, que é a forma como a protagonista tenta lidar com tudo chega uma hora que as tentativas de piadas já não nos atingem mais. Começamos a ver a dor retratada ali e as formas de escapismo dos personagens de forma geral. Assim como Bella, seu amigo Kwame (Paapa Essiedu) compartilha o seu abuso sexual, temática pouco abordada nas comunidades LGBT. E também como a amiga, ele tenta lidar com o trauma de formas nem sempre corretas. Não posso terminar esse texto sem falar da Terry (Werunice Opia) que rouba a cena diversas vezes, hora pra tentar carreira como atriz e várias vezes para cuidar de Bella sem questionar os processos internos que a amiga está passando.

I May Destroy You chega a ser pesado se você não tiver estomago, mas é tão precisa num ano como o que estamos passando que nem tem por onde começar só assistindo os 12 episódios mesmo. E sei que muitas pessoas não vão entender tanto o texto da série quanto as pessoas que já sofreram esse tipo de abuso, que passam e já passaram por algum tipo de racismo e claro, que ainda estão em seus processos de enfrentamentos de traumas que abalam não só nossas vidas como a daqueles que nos cercam intimamente. Vejam I May Destroy You e obrigada Michaela Coel por compartilhar isso de forma tão boa conosco.

Nota do CinEsportes – 10/10