Crítica – Duna

Estreia nessa quinta-feira (21) nos cinemas brasileiros um dos filmes mais aguardados de 2021, Duna. A produção é dirigida pelo conceituado diretor Denis Villeneuve e estrelada por um grande elenco composto de nomes Timothée Chalamet, Zendaya, Rebecca Fergunson, Oscar Isaac, Jason Momoa e muitos outros. O longa conta a história do jovem Paul Atreides, o qual acaba entrando no meio de uma trama política envolvendo sua família, a qual é convocada para habitar e extrair recursos de um planeta distante.

Duna com certeza é um dos projetos mais ambiciosos da Warner Bros. A adaptação sofreu com vários adiamentos por causa da pandemia e agora, enfim, chega nos cinemas. Desde o início da produção do longa, ficou claro que a expectativa do estúdio é que Duna possa se tornar uma franquia que renda bastante frutos, e com a riqueza do seu livro de origem, a Warner aposta que a franquia pode se tornar algo semelhante a trilogia do Senhor dos Anéis. Para isso acontecer, o investimento foi bastante alto, tanto na produção quanto no elenco e diretor.

Denis Villeneuve é um dos diretores mais conceituados do momento. Seus filmes são conhecidos por serem bastante densos, visualmente poderosos, e com um ritmo e cadência própria. Em Duna conseguimos observar muitas coisas que o diretor trouxe de seus longas anteriores, como A Chegada e Blade Runner 2049. Aqui novamente o diretor mostra que não tem pressa nenhuma para exibir seus belos cenários e desenvolver seus personagens. Apesar de um ritmo muito lento, o diretor faz um bom trabalho em explicar muito bem a história para seus espectadores. Isso é um fator extremamente importante, pois Duna é um livro rico, cheio de detalhes, de personagens e seria muito fácil o enredo do longa ficar confuso cheio de subtramas sem desenvolvimento. O diretor e o roteiro fazem um bom trabalho em deixar a trama bem clara.

Apesar da história bem contada, cenários majestosos e uma boa trama, falta a Duna um elemento chave para qualquer épico no cinema: Carisma. Chalamet promete ser um dos melhores atores da sua geração, contudo, ainda falta algo para ele conseguir realmente ter forças para ser a estrela de uma franquia. Não entendam mal, ele tem uma ótima atuação no longa, mas ainda sim é difícil sentir empatia por ele em determinados momentos. Além da sua ótima atuação, o restante do elenco entrega performances muito sólidas. Destaques para Fergunson e Isaac, os quais entendem muito bem o que precisam fazer para levar o filme para frente. Apesar do marketing e trailer exibirem Zendaya a todo instante, já havia sido relatado que sua participação seria quase mínima.

A grande questão em Duna é que o filme se limita em ser apenas uma grande introdução do seu universo. O filme apresenta seus heróis, seus vilões, sua trama, suas perguntas e até algumas respostas, contudo, na hora de dar um passo pra frente, em qualquer um que seja esses pontos, o longa freia e deixa a enorme sensação de INCOMPLETUDE. É fácil entender quando o estúdio pensa e aposta grande em uma franquia. A ideia de dividir o livro original em duas ou três partes é extremamente natural, porém, ainda sim, o primeiro filme de Duna deveria ter dado mais motivos aos espectadores para assistir uma sequência daqui a alguns anos.

Nota do CinEsportes ⭐⭐⭐