Crítica – Bom dia, Verônica

Bom dia, Verônica é uma série da Netflix baseada no livro de mesmo nome de Ilana Casoy e Raphael Montes. A adaptação traz Tainá Müller no papel da protagonista, acompanhada de Eduardo Moscovis e Camila Morgado no elenco principal. E por falar em elenco, todo mundo serviu demais aqui fosse passando o drama pesado dos personagens até os momentos de surto. E finalmente temos uma série que mostra os personagens surtando diante das situações postas no roteiro, que não é nada fácil de engolir. Vi muita gente reclamando do peso da história, até compreensível por se passar em terras brasileiras. Contudo, para quem já viu produções como True Detective (HBO) e Mindhunter (Netflix), Verônica é um thriller de prato cheio.

Escrivã do departamento de homicídios, casada com dois filhos e ainda com um passado atormentado por conta de um acidente até então misterioso; a protagonista começa a investigar um caso após um suicídio acontecer bem na sua frente dentro da delegacia. Diante dos fatos, já notamos que ela tem instinto para a profissão algo que é abordado o tempo todo como uma questão dentro dos 8 episódios. Ao mesmo tempo vemos como é a vida nada normal de Janete e seu marido, Brandão. Personagem que Moscovis transpassa brilhantemente do início a fim apenas para nos dar medo, raiva, nojo entre tantas coisas. Sobre Morgado, eu não esperaria nada diferente tendo o currículo que tem; porém Janete é tão singela que notamos todas as camadas da personagem com respeito devido.

Diante da investigação, Verônica também tem que conciliar a forma como lida com a sua família e claro na busca constante do sonho de tornar-se investigadora profissional. Mas é após se deparar com Janete e Brandão que tudo se intensifica até o desfecho da trama. A primeira temporada de fato exige uma força emocional do espectador que muita gente não vai querer, mas tratando-se de um thriller que mistura investigação policial, corrupção brasileira e psicopatia humana não podemos fugir muito da raia. E até queria deixar aqui meus agradecimentos à Tainá e Camila por terem passado em tela tanta coisa real sobre ser mulher atualmente na nossa sociedade, tendo você uma relação abusiva ou não.

O desfecho do roteiro é brilhante e espero que na segunda temporada mantenham a mesma linha de direção, atuação e até mesmo ambientação destra primeira. Claro, que a abordagens de questões será mais a fundo no mistério do Cosme e Damião também, no mais, vejam Bom dia, Verônica. Mas com calma e sem pressão, também respeitando os limites pessoais de quem está pronto ou não para ver tanta intensidade em tela. Obrigada por mais essa, dona Netflix!

Nota do CinEsportes – 10