Crítica – Batman

Estreia nessa quinta-feira (03) nos cinemas brasileiros o novo longa do Homem Morcego. Batman é dirigido por Matt Reeves, estrelado por Robert Pattinson, e nos apresenta uma nova versão do herói e de todo seu universo. Na produção temos o vigilante atuando por dois anos em Gotham City e tudo começa a ficar mais complicado com a chegada do misterioso assassino que se autodenomina como Charada.

Com certeza trazer um novo Batman para as telonas seria um grande desafio. Apesar de toda a popularidade do herói, e que ainda carrega consigo a melhor galeria de vilões dos quadrinhos, o personagem tem versões que ainda estão bastante frescas na memória do público. Vale lembrar que há exatos, em 2012, tínhamos o último filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas, dirigida por Christopher Nolan e estrelada por Christian Bale. Mais do que isso, em 2016 tivemos Ben Affleck que chegou com uma versão mais madura e cansada do herói.

Aqui temos uma nova versão, ambientação e atmosfera do Batman. Robert Pattinson traz uma sólida atuação com um Batman vulnerável, violento e perdido. A grande questão aqui é que Bruce Wayne não está presente no longa. Mesmo quando está sem seu uniforme, nós assistimos o Batman agindo e falando usando uma máscara de Bruce. Essa escolha faz todo sentido no roteiro do longa, mas até por isso mesmo, não podemos afirmar que essa seja a melhor ou a definitiva versão do personagem. Sempre irão existir comparações, e desde Batman Begins, a versão de Bale chega a ser mais completa. Curiosamente, no universo construído por Matt Reeves, se houvessem suspeitos da identidade secreta do Batman, Bruce Wayne estaria facilmente num top 3 de possibilidades.

Aqui temos uma gama de personagens muito bem apresentados e desenvolvidos na trama, com a leve exceção do Alfred, vivido por Andy Serkis. Um dos poucos pontos fracos do longa é não desenvolver a relação do mordomo, o qual tem pouquíssimo tempo de tela. No mais, Paul Dano entrega um Charada dos sonhos. Ele é inteligente, sádico, instável, misterioso e macabro, fazendo muitas referências aos assassinos em séries de filmes Seven – Os Sete Pecados Capitais, e Zodíaco. Ainda sim, uma sensação é que o filme apressa demais as respostas dos seus enigmas, que muitas vezes são respondidas segundos ou minutos depois. Teria sido uma boa opção dar tempo para o público tentar desvendar.

A Mulher-Gato de Zoe Kravtiz, o Pinguim de Colin Farrell, o tenente Gordon de Jeffrey Wright e o Falcone de John Turturro, todos, sem exceção são bem escritos e desenvolvidos. As atuações são extremamente compatíveis com o universo sombrio, sujo e corrupto dessa Gotham City. Essa também é a versão da cidade que mais justifica a presença de tantos vilões. Tudo isso juntado a uma trilha sonora épica de Michael Giacchino, fazem com que as 3 horas de filme passem sem cansar.

Matt Reeves tinha um desafio em suas mãos, fazer um Batman que mesmo com tantas versões recentes, ainda se tornasse único. O diretor então conseguiu fazer isso trazendo um longa que é mais policial, mais suspense e muito, muito, muito menos cinema pipoca. Esse não será o filme que terá aplausos, gritaria ou cenas vazadas no YouTube com a sala de cinema parecendo uma arquibancada em dia de clássico.

Não, essa não é a melhor versão do personagem Batman e também não é o melhor filme já feito do herói. Para nossa sorte, o homem morcego é um personagem tão interessante e com vilões e coadjuvantes tão complexos quanto, que mesmo sem ser a melhor versão, ela ainda fica muito acima da média dos demais longas baseados em personagens de quadrinhos.

Nota do CinEsportes – ⭐ ⭐ ⭐ ⭐